"Não há formas, mas a Forma equilibrada e sutil; a sombra única em mil gamas de luz se deforma." Sérgio Buarque de Holanda

A certeza é uma âncora
e também arma apontada
é motivo pra viver
é desculpa pra matar
Segurança. Estandarte.
braço dos fortes
e ser que se enterra no medo
à beira do mar

Certeza é flor de artifício
de cor amarelo-hiroshima
adornada de inquisições
os fins que justificam o meio também antecipam o fim

A dúvida é rosa simples
cujo fim é se deixar de ser
no vento que despetaliza armações.
É andar sobre espinhos
é a cabeça aberta e inclinada
e disposta a ficar assim.

Entre a certeza e a dúvida
o vôo livre do amor

O amor convida a voar.
A dúvida salta
e se volta ao chão
não quer ser amor
só quer amar.
A certeza abre as asas
mas não vinga o vôo
é pesada e tem nas costas o cansaço
de velhas torres e construções

A certeza arma o laço
e prepara a cela
quer o amor só pra si
Mas amor não é coisa que se encerre
só se ouve o canto
e se cala pra ouvir

2 Comments:

Joatan Freitas said...

A certeza cria a cerca, é o limite da possibilidade, é a propriedade do abstrato, é a ilusão do possessivo! Adorei. Abraços!

Leandro Neres said...

eis que encontro toda uma filosofia-teologia num poema simples e leve, teologia poética em salto de passarinho, mto bom, Vidal!
Vai pro orkut.
rs
Abraço!

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