Hoje sonhei que vivias aqui.
Nesta casa semi-abandonada, tão perto da minha.
Te visitava uma vez por ano,
não queria que deixássemos de ser amigos por nos vermos demasiado.
Havia várias coisas dispersas pela mesa.
não queria que deixássemos de ser amigos por nos vermos demasiado.
Havia várias coisas dispersas pela mesa.
Entre elas umas luvas para a neve, de cor rosada.
Também havia um pacote de biscoitos aberto.
Seguias sendo pobre, mas nunca mais sentistes frio.
Nos falávamos como quem fala a uma lembrança distante.
Cordialidade e sensatez da mão.
Às vezes respeitamos demais as lembranças.
Cordialidade e sensatez da mão.
Às vezes respeitamos demais as lembranças.
Me cansei.
Me cansei de ver a figura do meu passado que representavas.
Tive muitas vezes medo do meu passado e Gardel descreveria melhor.
Me cansei de falar sem dizer nada.
Me cansei de dizer nada enquanto falava.
Enquanto falava, olhavas para ela. E isso me cansou mais.
Então me cansei de não falar nem para ti nem para ela.
Me cansei de falar a uma casa que quase caía.
Enquanto falava, olhavas para ela. E isso me cansou mais.
Então me cansei de não falar nem para ti nem para ela.
Me cansei de falar a uma casa que quase caía.
Me cansei de que a muralha fosse um jardim por dentro,
pois eu não fazia parte do jardim. Somente fazia parte da tua lembrança.
Me cansei das bicicletas serpenteando o rio sem ir a lugar algum.
Me cansei de que o presente me diga que como tu não há nenhum.
Me cansei de uma liberdade inexistente que anelo insistente.
Me cansei do presente ausente disfarçado de passado latente.
Acordei.
Acordei em meu quarto, contíguo a uma biblioteca de arte onde há volumes a respeito de uns pintores.
Acordei em meu quarto, contíguo a uma biblioteca de arte onde há volumes a respeito de uns pintores.
Abri um livro sobre Greco. Me lembrei de você.
Me lembrei daquela vez em que sonhastes que vivias cativo num edifício vitrificado.
Me lembrei daquela vez em que sonhastes que vivias cativo num edifício vitrificado.
Tantálico até para mim.
Liguei a música. Soava Juan Luis Guerra.
Provei um pysalis.
Liguei a música. Soava Juan Luis Guerra.
Provei um pysalis.
Sabia a tudo aquilo que não fui capaz de te dizer.
Alba Pino
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Um bilhete-poema da minha nova amiga Alba do blogue Delito por bailar el cha cha cha. Assim que ela me mostrou percebi que era a "cara" daqui e pedi que ela o traduzisse para o português. Ela o fez. Eu fiz algumas pequenas alterações e aqui está. A versão original está aqui. Espero que gostem. Sei que vão gostar. Obrigado Alba.
Inté!

4 Comments:
Moito obrigada!
É pra min um honor.
Beijo
Eu gostei. É bem Bilhetes mesmo e é um belo poema. Eu tenho mania de ver tamanho nas coisas e sentir se há espaço. Coisa de gente louca mesmo. Mas é que leio e sinto se o texto é espaçoso ou estreito. E esse me falou de tudo. De mim, de meus amigos, meus botões.
Parabéns para a Alba que escreveu e você que viu o talento dela, Vidal. =)
Que lindo isso...
bjos meus
Gostei mto do poema da Alba!!!
Que honra, que talento!
Volte sempre!
Bjos
Leandro
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