"Não há formas, mas a Forma equilibrada e sutil; a sombra única em mil gamas de luz se deforma." Sérgio Buarque de Holanda

A rotina e o seu lado maquiavélico enterram o deslumbre da primeira impressão. Estou ao violão, de repente um fisgado, sinto como num flash a sensação do acorde tocado pela primeira vez. O cheiro novo do primeiro violão. O som e a suspensão causada pelos acordes, de quarta justa, de nona maior, o mi maior aberto como o sol e o sol de sétima melancólica desejando repouso. Viajo ao passado no não-tempo do milésimo de segundo. Intercalo-me nas menores distâncias entre o sendo e o que já foi. Contudo o próprio seguimento da música me retrocede. Aquelas sensações passageiras, mas arrebatadoras são lisas como a oportunidade que se escapa e se esvai. São efêmeras, mas com sabor de perenidade. Gostaria que eternas fossem para sempre, mas o costume as enterraria. Há uma beleza escondida nas coisas transitórias. Seria essa beleza a eternidade?
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3 Comments:

Leandro Neres said...

"Há uma beleza escondida nas coisas transitórias. Seria essa beleza a eternidade?"

Engulo sua reflexão como aquela melodia que sempre ousa em escapar, como o belo que avança e se esconde, como oração na missa de quem reza distraído e se descompassa, mas sente que passou por ali a brisa da fé, como cotidiano que vc resgata em poesia, filosofia e verdade.

abraço.
Leandro

Amigao said...

Seria sim.
Eu me imagino às vezes com o meu violão, sentado num banquinho e dali sim sair em forma de musica todos os meus desejos e votos e louvores.
Pena, amigão que eu não sei tocar violão.
Abração

Vinícius said...

Seria sim

está aí aquela beleza intocada que depois de dar o ar de sua graça some tão misteriosamente quanto veio.

abraço!!

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